Grécia seguirá na zona do euro, diz Comissão Europeia

Agência Estado - publicado em 28/09/2011

A Grécia continuará a ser parte da zona do euro, que necessita de mais integração e disciplina para reforçar sua credibilidade, afirmou o presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, em discurso sobre o estado da União, diante do Parlamento Europeu, em Estrasburgo. "Para a zona do euro ser confiável, precisamos integrá-la de verdade", defendeu.

Barroso declarou que mais mudanças podem ser necessárias nos tratados que estabeleceram a União Européia, a fim de fortalecer a capacidade do bloco de responder aos desafios econômicos. Ele disse ainda, que a Comissão adotou hoje uma proposta para a criação de um imposto sobre transações financeiras que pode gerar mais de 55 bilhões de euros por ano.


O título deste post faz referência a um ditado grego que muito tem a ver com o atual momento vivido na Zona do Euro. A três semanas atrás no post “Estados Unidos da Europa” eu apresentei alguns cenários que se desenvolveriam no decorrer do tempo e o que vemos hoje é uma mescla do Plano A com o Plano B. As recentes noticias tem confirmado essa situação e por mais que os Chanceleres, Premiers ou Representantes de Estados da Alemanha, Finlândia e Holanda digam que são contra mais ajudas aos Países periféricos, isso não passa de discurso para seu eleitorado, porque na verdade “ruim com eles, pior sem eles”.

Isso quer dizer que quem fala sobre uma saída dos países periféricos da Zona do Euro não entende a dinâmica e o objetivo do projeto no qual essa zona foi construída. Essas análises em gerais são feitas e veiculadas em mídias através de experts Anglo-Saxões.

Para compreender melhor sobre a dinâmica de uma saída forçada da Grécia basta retomarmos o post de Junho “Quando o impulso vira um empurrão? Expondo a ameaça incrível de uma saída forçada da Grécia da zona do euro”. A mesma análise pode servir analogamente a Portugal, Irlanda, Espanha, Itália e etc, basta trocar os nomes. A dinâmica não será diferente, talvez o tamanho do estrago.

No entanto eu incluiria mais alguns desdobramentos nessa análise. Caso algum dos países periféricos fosse forçado a deixar a ZE e adotar uma nova moeda, essa sofreria uma desvalorização fortíssima, no momento em que fosse posta em circulação, de maneira mais abrupta que alguns analistas pensam. Poderíamos assistir a desvalorizações na casa de 50%. Seria mais do que uma “desvalorização competitiva”, sem contar que a dívida desses países agora fora do Euro continuaria em Euro. O Euro por sua vez ,“limpo” desses problemas valorizaria, o que tornaria a dívida externa ainda mais impagável. Sabemos bem que essa dinâmica de crise cambial e dívida externa levaria o país a um Default e uma situação que poderia, ou mesmo levaria, a hiperinflação, demorando décadas para reconstruir um país devastado por essas condições econômicas.

Outra opção que se tem falado é a criação de uma nova moeda, liderada nesse caso pela Alemanha e junto com outros países em melhores condições e até alguns que hoje estão fora da ZE. O que aconteceria é o oposto. Essa nova moeda se valorizaria abruptamente, estancaria o modelo de crescimento led-by-exports da Alemanha e estes países agora credores de uma moeda mais fraca, o Euro, teriam dívidas à receber nessa moeda mais fraca, contribuindo assim para uma crise em seus Balanços de Pagamento.

Portanto, é preferível ser dono de uma moeda a escravo de duas. Mais do que isso, ainda acredito que a Mescla de Plano A (default parcial, reestruturação, reescalonamento e novos pacotes de ajuda) com o Plano B (mais integração fiscal e orçamentária entre os países, ver o link) tem se mostrado o cenário mais favorável no médio prazo.

Vale a pena dar uma olhada no seguinte artigo para entender melhor a Crise Européia: What Really Caused the Eurozone Crisis? (Part 1)

Fiquem em paz!

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Rafael Leão - http://liberdademoderna.blogspot.com/

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