"A leve solidão que enraivece todo filósofo, equivale na mesma medida que a náusea que sentimos na percepção existencial. Pensamento ao grotesco limiar da genialidade tocando no fundo o mal da pequena existência física, mas incorporando a grandeza de algo além da realidade. O pensamento não pode ser somente objetivo, mas sim subjetivo. Claro que nem sempre claro, como as manhãs do litoral do verão, chuvosas por vezes, ensolaradas por outras. A angústia é sofrimento. E da angústia, temos como presente, o espanto. Angústia quando se perde o sentido daquilo que fazia sentido, encontra-se com a utilidade da razão para buscar o real.Para uns, o real independe de algo. A realidade é uma imagem, uma ilusão, uma junção de nossa imaginação e do real. O real é universal. O real é o absoluto. Só um poeta para escrever sobre o real e só um "filósofo" para desmascarar o real. O real está aqui e não lá, no absoluto. O real é material, alias, se deu no material. A consciência do real é impossível. O real independe de algo e se independe, não se tem consciência do real, pois só se tem consciência, quando se tem consciência de algo e esse algo é triste, incompreensível. Angustiado é o filósofo, espantado. Qual argumento faz mais sentido?Linguagem, letras, palavras. Idealismo e realismo, caminham como uma luta dialética. Vazio e vazio, cheio e cheio. Mais que espanto tais ideias..."

Ogata; Lobo Larsen

Aforisma- Ideal sem razão


Encantador e dramático, poético, filosófico e nos causa espanto. O filme "Ágora" nos trás uma obra artística e realista, já que é inspirado em uma história verídica, e também nos trás a filosofia e a religião como pano de fundo.

A trama que se inspira na história da filosofa Hipátia de Alexandria, interpretada por Rachel Weinz, nos mostra com uma forte crítica a presença da luta religiosa, da não aceitação de uma crença e da pouca liberdade atribuída não somente as mulheres, como também a filósofos. Além da característica moral do longa, podemos contar com a boa atuação dos atores, o excelente figurino, a filmagem e a fotografia com excelentes paisagens, isso é, a excelente arquitetura, as cores, etc. Claro que em um longa sobre filosofia, não nos falta boas reflexões, diálogos marcantes que nos tocam e nos fazem ter uma reflexão filosófica, como também, discussões políticas, questionamentos cosmológicos e questões ético-morais. A questão da religião é marcante nesse filme. O diretor teve a capacidade de colocar uma ênfase marcante na questão moral da religião. Em termos artísticos, o filme merece respeito, não só pela filmagem e interpretação, como também pelo todo que o longa representa.

Hipátia foi uma filosofa destacável e memorável, era filha do filosofo Téon, e era fortemente influenciada por Plotino, Platão e Euclides. Hipátia não teve muitas obras escritas, ou se teve, não foram achadas, mas do pouco que nos resta, parece que Hipátia foi uma das primeiras a desvelar o Heliocentrismo, ainda que, de maneira não tão matemática, Hipátia utiliza-se da filosofia de Aristarcos para tentar investigar a questão do Heliocentrismo. O que também destaca no pensamento de Hipátia, além de suas invenções (como densímetro), é que ela, assim como Socrates, morreu pelo seu pensamento, já que não era cristã acabou sendo condenada pelo seus princípios, vivendo somente da filosofia, o que faz, ou que merece, o destaque de tal filosofa. Outra caráter marcante é que ela era uma filosofa e não um filosofo, historiadores de filosofia comentam que talvez seja uma das primeiras filosofas. Hipátia influenciou pensadores como Descartes, Keppler e Leibniz.


Além da história dessa engenhosa filosofa, o filme nos mostra uma discussão que deve ser relembrada: A religião e a liberdade. O tema se encaixa perfeitamente na história da filosofa, além da própria história do homem. A religião perturbou a filosofia, condenando-a e queimando muitos livros que poderiam estar conosco. Nietzsche quando critica a religião, principalmente a religião católica cristã, que apresentava uma moral não dos nobres e sim dos fracos, não deixa de ser análogo nesse filme. O ponto é que a religião nos tirou o pensamento de questionamento, nos tira a teoria das quatro causas, nos tira na história do próprio homem, o saber contemplativo, condena-o em nome de uma moral fundadora de princípios éticos. Sabemos que isso é uma questão histórica, e não estou jugando o papel da crença, da certeza subjetiva, mas sim, critico e julgo, por uma perspectiva "Nietzschiana", o que a religião fez com o homem...

O mais irônico da história da Hipátia é que ela parecia ser a mais sã de toda uma civilização marcada pela religião, e detalhe que era ela pagã. Apenas digo uma das frases da filosofa Hipátia: "Se você não questiona algo que crê, então você não crê fielmente. Eu preciso questionar"

Ogata; Lobo Larsen

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Blog formado por estudantes abordando temas culturais como cinema, filosofia, música, tecnologia, arte, etc.

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