Bom, como prometido à uns amigos meus do interior, irei postar o texto falando sobre alguns tipos de música e deixo bem claro que eu ODEIO sertanejo etc..
o texto foi elaborado por Heek Suguihura



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Às vezes, ao escutar alguma música, ou trecho de música, de gêneros como funk, pagode, axé, sertanejo (é claro que tal som não provém de objeto que pertença a mim), faz-me pensar o que o digníssimo autor quis dizer com as letras que escreveu.

Funk, pagode e axé, nem dou muita bola, pois a intenção clara do autor, desde o início da letra, é fazer sexo. Para demonstrar tal desejo, é bem direto, tornando a letra curta, extremamente repetitiva, com infindável número de vogais, gírias, expressões e palavras de baixo calão, além de fazer apologia, é claro, ao próprio ato da fornicação, com objetos ou situações da vida cotidiana.

Agora, quando se trata de sertanejo, o pensamento é outro. A intenção do autor das letras também é fazer sexo. Isso é claro para alguns, mas como não ele é tão direto, muitos passam despercebidos. A estrutura da letra é um pouco diferente, mas não deixa de ser curta e exageradamente repetitiva, ter as vogais em demasia, as expressões e as apologias. Se parasse por aí, tudo bem. O problema é quando o autor quer tornar a sua obra poética e, obviamente, não consegue.


Para começar, há uma mistura incrível de tratamentos. É capaz de eu tu ele nós vós eles serem usados todos na mesma oração. Nunca vi –e creio que ninguém tenha visto– uma letra em que o autor utiliza apenas o tu ou apenas o você. Por exemplo, na música “Meu Eu em Você”, do Victor e do Leo (sem acento mesmo), fala-se “teu”, “teu” e “teu” a letra toda, exceto na hora do refrão, que é “Sou tua vida, sou meu eu em você”.

Em seguida, temos as rimas. As letras são repletas delas. Quando está escrevendo a letra e não sabe mais o que dizer, o autor enfia alguma palavra que não tem nada a ver com o resto do texto e, muitas vezes, cria ou muda um verso inteiro apenas para acrescentar tal palavra. Isso torna a letra mais incoerente do que já provavelmente era. Não satisfeito, quando não acha a palavra “certa”, ele usa outra, inventando assim uma rima nova (que na verdade não é rima). Em várias letras existem isso, como em “Amigo Apaixonado”, do Victor e do Leo, de novo, quando ser é rimado com você: “Sempre fui um grande amigo seu / Só que não sei mais se assim vai ser / Sempre te contei segredos meus / Estou apaixonado por você”; e faz, com mais: “Esse amor entrou no coração / Agora diz o que é que a gente faz / Pode dizer sim ou dizer não / Ser só seu amigo não dá mais!”.
Além disso, já não bastasse a vultuosidade de rimas no infinitivo com vogais tônicas, agora estão rimando a palavra com ela mesma. Aqui temos o exemplo de “Borboletas”, novamente do Victor e do Leo, quando o letrista rima a palavra estranha com a palavra estranha. Vejamos: “Numa noite estranha / a gente se estranha”. Não se torna uma boa rima só por ter mudado a classe morfológica da palavra, convenhamos.

Depois, temos o título. Nada comprovado, mas a meu ver, cerca de 99,99% dos títulos dessas músicas encontram-se no refrão –que muitas vezes é a música. Ou seja, de escutar 30 segundos da mesma, já descobrimos o seu nome, seu começo, seu meio, seu fim e seu refrão.

E por último, a própria letra. Temos três casos:
1) o autor, machista, fala a maior parte da letra de beber e ficar bêbado, cita alguma(s) mulher(es), relacionando-as ao sexo;
2) o autor, machista, é um corno. Mesmo sendo o homem perfeito que todas as mulheres gostariam de ter, bem aquela que ele quer ser o dono, não lhe dá moral ou já teve um relacionamento com ele e não quer mais;
3) o autor, machista, é O cara. Neste caso, ele é perfeito e todas as mulheres sabem disso. Ele escolhe quem quer ter, na hora que quer ter, e tem o que quer (leia-se mulher). Então, as pobres moças correm atrás dele o tempo todo, mas ele já está com outra na maioria das vezes.

Agora, vamos analisar trechos de duas músicas do Victor & Leo.
Para começar, “Meu Eu em Você”:
Na música inteira, o autor se sobrepõe à moça, dizendo que todas as demonstrações de felicidade dela são vindas dele, e ele é tudo o que ela possui.
“Eu sou o brilho dos teus olhos ao me olhar
Sou o teu sorriso ao ganhar um beijo meu”.
Com isso, já percebemos que o cara se acha, né? Como a mulher corresponde à supremacia do homem (segundo ele), encaixa-se no terceiro caso.

Interpretando agora um trecho que me deixou confuso:
“Sou o teu sangrar ao ver minha partida”
Seria menstruação? Ou ele esfaqueou ou meteu bala na coitada antes de partir? Seria equívoco meu pensar que não, ou as pessoas sangram quando algum amor se vai? De qualquer forma, não acho que algo assim seja romântico (e era a intenção do autor).

Depois temos:
“Eu sou teu tudo, sou teu nada”.
Na graça de querer conjugar em segunda pessoa, acabou criando uma cacofonia. Dá a impressão de algo como “eu sou tetudo”, ou seja, “eu tenho tetas grandes”. A antítese é aceitável, mas essa é muito clichê.

Analisemos agora, “Borboletas”.
Podemos ter duas interpretações possíveis. Uma, trata-se de um triângulo amoroso. O autor amava uma mulher. Esta se foi, e quando volta, aquele já está com outra, deixando-o dividido, não sabendo qual das duas escolhe para amar.
A outra interpretação possível é que a mulher, quando volta, está diferente, deixando o autor dividido entre a antiga e a nova personalidade da mesma.
“Agora você volta
E balança o que eu sentia por outro alguém”
De qualquer forma, a letra torna-se confusa ao dizer que a mulher volta, mas não quer ter mais nada com ele.
“Você tenta provar que tudo em nós morreu”.
Mesmo assim, ao afirmar que “o seu jardim sou eu”, o autor explicita a sua (suposta) supremacia, tornando o texto mais contraditório ainda. Devido às contradições, temos aqui uma mistura do segundo e do terceiro caso.

Depois:
“Sei que estou amando, mas ainda não sei quem”.
Sinceramente, na minha opinião, se o amor é verdadeiro, o cara precisa saber quem é a amada, concorda?


Outra coisa que me chamou atenção foi:
“Não sei dizer o que mudou
Mas, nada está igual”
Se nada está igual, podemos presumir que tudo mudou. Logo, podemos crer que o autor saberia dizer, pelo menos, que tudo mudou. O que nos faz pensar que ou ele é burro, ou ele é mudo. Ao tentar tornar bonito, romântico, poético, o autor torna o texto incoerente.


A música sertaneja foi perdendo-se no tempo. Perdeu a essência, a raiz. Antes, quando tratava apenas dos sertões, da natureza, dos rios, dos campos, tinha um significado. Trazia a marca de um povo. Hoje, só faz-se esse tipo de música voltada para o comércio, a venda. E o que mais dá dinheiro, infelizmente, é lixo. ''

1 comentários:

sertanejo rules!!!!
hahahahahahahahaha

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