Olá meus caros conterrâneos! Depois de um longo hiato (estou trabalhando no meu próprio curta, e estes últimos dias estive acertando toda a papelada, nosso país faz jus à sua reputação, é tanta burocracia sem sentido que fica difícil pensar em outra coisa), volto aqui ao blog do nosso querido Ogata para, se tudo der certo, fazer um review de um filme pelo menos uma vez por semana, mais como uma indicação para o fim de semana, agora que já estou de férias e sem muita coisa pra fazer..

Gostaria de iniciar essa série de posts com um filme que eu considero um dos melhores (senão o melhor) dos anos 2000, Sangue Negro (2007) dirigido pelo aspirante a prodígio do cinema Paul Thomas Anderson, ou, simplesmente, PT Anderson. Bom, eu queria começar dizendo que Sangue Negro é um daqueles filmes atemporais. Isso porque o filme é tão bem concebido que é possível imaginá-lo em qualquer contexto - ele poderia tanto ter sido produzido nos anos 70 como daqui a 30 anos -, em parte porque é um filme de época, mas principalmente por sua direção de pulso firme e atuações memoráveis. Por exemplo, daqui a 20 anos, será fácil perceber um filme dos tempos atuais, porque hoje em dia os filmes tem um padrão característico: câmera tremida, edição rápida, direção vigorosa, efeitos especias realistas e etc, e olha que eu só estou falando dos blockbusters. Pois é, Sangue Negro não tem disso. É um filme que já nasceu clássico - e isso é fantástico.

O filme conta a história de Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis, merece um parágrafo à parte), um mineirador de prata no início do século 20 que se rende ao mundo de riquezas do petróleo. Ele começa em um pequeno poço, mas desenvolve um sistema próprio de perfuração que o permite se tornar um magnata do petróleo americano da costa oeste. Mas esse sistema também lhe rendeu um filho, H.W. (Dillon Freasier, faz você se mexer por dentro sem falar nada), um garoto que Daniel ama, mas praticamente o usa para parecer que seu negócio é de família. Entra então, de maneira despretenciosa, um terceiro elemento: Eli Sunday (Paul Dano, o mudo/autista de Pequena Miss Sunshine, que consegue ficar de igual pra igual com Day-Lewis em cena), pastor da Igreja da Terceira Revelação - fictícia, mas inspirada nessas igrejas messiânicas em geral -, filho de uma família da qual Daniel Plainview planeja comprar suas terras para iniciar uma nova empreitada. Antes que você perceba, cria-se um embate épico entre os personagens durante o filme, e como o título original prediz, There Will Be Blood (haverá sangue).

A trilha sonora é composta por Johnny Greenwood, guitarrista do Radiohead, e anda de mãos dadas com a bela fotografia de Robert Elswit, que preza pela imensidão e secura do deserto californiano, é quase possível sentir o calor e a poeira em você. E tudo, claro, coroado pela direção sóbria, intensa e sem piedade imposta por PT Anderson, que usa muitos enquadramentos simétricos e rígidos em cena, movimentos sutis de câmera, uma grua aqui uma dolly acolá e que, de maneira fantática, nos presenteia com um filme fluído mas ao mesmo tempo muito rígido em suas propostas. Paul Dano, como o pastor da igreja, chamou muito a minha atenção por conseguir ser o contrapeso do fator Daniel Day-Lewis de maneira muito natural. O cara tem muita presença.

Falando em Daniel Day-Lewis, eu queria deixar claro aqui que eu o considero o único ator vivo que é comparável a Marlon Brando em cena. É incrível como ele faz personagens muito variados e cada um deles consegue ser incrivelmente diferente um do outro. Aqui, como Daniel Plainview, vemos aquele homem desgastado em sua vida, que nunca deixa de ser grosseiro, apesar de se tornar uma pessoa bem sucedida. O jeito cordial como ele fala contrasta com o modo rude de ele se expressar e essa mistura proporciona uma atuação incrível, amparada, claro, pelo roteiro, escrito pelo próprio PT Anderson levemente inspirado no livro Oil! de Upton Sinclair. É extremamente difícil criar um personagem tão tridimensional, ambíguo e humano e ao mesmo tempo muito natural, e PT Anderson faz isso em seu quarto filme. De quebra, vemos a estrutura básica da formação dos EUA (Igreja e Economia) de um jeito criativo. Seja por assistir à um clássico moderno ou simplesmente para se distraír um pouco, Sangue Negro é, e sempre será, uma boa pedida para uma tarde chuvosa como hoje.

Trailer:



Crítica por Isabela Boscov (crítica da Veja, recomendo):

1 comentários:

Agora sim eih!!!

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Blog formado por estudantes abordando temas culturais como cinema, filosofia, música, tecnologia, arte, etc.

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