Uma das mulheres mais lindas do Brasil, Gisele Bündchen, participou de um comercial um tanto quanto polêmico, do qual  vem sendo abordado por uma série de críticos e filósofos.

Antes de devagar uma certa crítica e uma dialética em relação ao tema que abordarei, vejamos o comercial:





Além de todas as possíveis interpretações perante ao comercial, apresentarei apenas duas interpretações, ambas Marxistas, e  que tocam exatamente na questão que vem sendo destacada pela sociedade, o papel da mulher, a mulher como objeto, etc.

Depois de tanto tempo de lutas politicas feministas, eis que surge uma propaganda colocando o papel da mulher como mero objeto, como mero fator de satisfação e fonte de desejos. O que venho destacar, não é uma mera visão comum, filosófica e ética, sobre o papel da mulher, ou ressalvando a importância das lutas feministas. Destaco para uma a crítica marxista, diante de uma propaganda infame capitalista.

Um dos conceitos filosóficos abordados em Marx, principalmente em relação a ontologia social, vem a ser o conceito de "Coisificação". O conceito significa colocar perante ao sujeito-homem uma característica de um objeto, isso é, o homem como mero objeto perante ao sistema social do qual vivemos. Numa abordagem um pouco equivocada e bem à grosso modo, o ser seria mero objeto. Na propaganda de Gisele Bündchen, observa-se que o publicitário conseguiu "implantar" ao telespectador a ideia de coisificação da Gisele, isso é, mostrou a mulher não como um ser humano, mas como um objeto sexual. Ao mesmo tempo, a propaganda refere-se a um objeto do mercado, isso é, lingerie. Outro termo do jargão marxista filosófico é o "Fetichismo da mercadoria", em outras palavras, seria atribuir valores humanos aos objetos. A propaganda é um dos melhores exemplos de coisificação e fetichismo da mercadoria.

Observa-se então que a propaganda nos mostra, em primeiro momento, no mínimo duas abordagens. A primeira é a Gisele como mero objeto de desejo, e a segunda a própria mercadoria lingerie. A ilusão é passar ao telespectador, principalmente a mulher, o papel de mero objeto e que o objeto de mercado(lingerie) atribuirá características da Gisele("Pólo equivalente", isso é, a Gisele aparece como espelho, como entidade que as mulheres desejam ser, pelo fato da beleza e o do objeto mercadoria lingerie.)

A propaganda serve pra que? se pensarmos do ponto de vista econômico, observamos que a propaganda funciona como indução a compra da mercadoria, ao fetiche de usar uma mercadoria. A propaganda da Gisele não é só uma mera indução de mercadoria, é  uma coisificação da mulher,  uma tentativa de relacionar indiretamente a lingerie com o espelho mídia Gisele.


Existem meras interpretações da propaganda e os "porquês" do banimento. Sobretudo é uma questão ética que envolve princípios (idealistas ou não) do poder da mulher na sociedade. Além disso, ainda poderíamos devagar sobre uma questão filosófica "Sartriana" que envolveria uma serie de interpretações do ser, da consciência etc.

"O homem é habitado por uma falácia: o desejo de ser, que é desejo de fundamentar-se a partir do outro que não ele mesmo"

@ogataogara

Ogata Larsen.








Nome Original : Océans

País : França / Suiça / Espanha

Ano : 2009

Gênero : Documentário

Sinopse : Aproximadamente três quartos da superfície terrestre é coberta pela água. Através de imagens impressionantes e de rara beleza, o documentário mergulha fundo e descobre vários mistérios escondidos nas águas, revelando a vida de incríveis criaturas e os perigos que as cercam, revelados de uma forma única na história.


Crítica : "Oceanos" mostra que a natureza é perfeita !

Animais bonitos , perigosos , estranhos , habitats incríveis e beleza rara. "Oceanos" é resumido nisso , mas de forma artística e cativante. Os diretores Jacques Perrin e Jacques Cluzaud mostram imagens nunca vistas do fundo de diversos oceanos , onde milhares de criaturas vivem. O filme é bem dividido , a diversidade é enorme , aparecem tantos animais , que alguns deles nem sabíamos que existiam , é grandioso. O cotidiano das vidas dos animais na fauna marinha são bem mostrados , desde suas caças até o acasalamento. Em boa parte do filme , imagens de ambientes aquáticos e animais aparecem como uma grande apresentação para o ponto culminante do filme : Desmatamento. A ganância , as questões financeiras falam mais alto do que a vida de qualquer inocente animal. As cenas mais marcantes são a de um tubarão sendo esquartejado e solto de volta ao mar , mas não consegue nadar nem por um momento , e uma baleia sendo atirada por grandes arpões. Estas duas cenas , nos fazem refletir sobre a maldade que os seres humanos são para a fauna , por isso , os diretores franceses pedem "perdão" à natureza e realizam uma crítica sobre a crueldade que as pessoas fazem com os animais. Tirando algumas cenas revoltantes , o resto é bem interessante e possui muito conteúdo , a protocooperação e o predatismo são mostrados de maneira brilhante , uma aula de biologia marinha. "Oceanos" tecnicamente é ótimo e no CÉSAR foi vencedor do prêmio de melhor documentário e indicado nas categorias de melhor trilha sonora e melhor som. O roteiro é ótimo , divide bem o que precisar ser mostrado , possui uma boa apresentanção , desenvolvimento e conclusão e leva acima de tudo , conteúdo. A trilha sonora é perfeita , leva ao filme expressões para os animais. Em cenas de caça e briga , o som de suspense toma conta das telas , e nas cenas tristes mexe ainda mais com a emoção do espectador. A fotografia é brilhante , enquadra perfeitamente. O uso do close-up é exemplar , leva ao espectador a inocência e  o desespero dos animais , destaque também para as belas viagens do travelling. "Oceanos" mostra como os mares são complexos e misteriosos , um filme que deveria ser aplaudido de pé e visto pelos destruidores da natureza.

Avaliação : 4,5 de 5,0

@criticoleonardo

Leonardo Freitas de Carvalho


Nome Original : Dogville

País : Dinamarca

Ano : 2003

Gênero : Drama

Sinopse : Anos 30, Dogville, um lugarejo nas Montanhas Rochosas. Grace (Nicole Kidman), uma bela desconhecida, aparece no lugar ao tentar fugir de gângsters. Com o apoio de Tom Edison (Paul Bettany), o auto-designado porta-voz da pequena comunidade, Grace é escondida pela pequena cidade e, em troca, trabalhará para eles. Fica acertado que após duas semanas ocorrerá uma votação para decidir se ela fica. Após este "período de testes" Grace é aprovada por unanimidade, mas quando a procura por ela se intensifica os moradores exigem algo mais em troca do risco de escondê-la. É quando ela descobre de modo duro que nesta cidade a bondade é algo bem relativo, pois Dogville começa a mostrar seus dentes. No entanto Grace carrega um segredo, que pode ser muito perigoso para a cidade.


Crítica : Com três horas de duração , "Dogville" faz o tempo passar rápido com as chocantes cenas.

Desde que o movimento dinamarquês Dogma 95 foi criado , são poucos os filmes que respeitam todas as regras. "Dogville" não é diferente , possui trilha sonora , iluminação artificial , armas e outros meios que não poderiam ser usados no movimento cinematográfico criado pelo próprio Lars Von Trier. O filme é dividido em nove capítulos e um prólogo , não deixa o tédio chegar em momento algum e faz o espectador ficar impressionado com as cenas fortes e chocantes. Lars Von Trier cria uma história que se passa na época da crise de 1929 , onde a ganância e a exploração , fazem de Grace (personagem principal do filme) sofrer e revoltar-se com os acontecimentos. Um filme forte e sensacional , somente o espectador que admira e curte o cinema inteligente , irá apreciar esta obra-prima. Tecnicamente o filme é fortíssimo , não erra em nada e está entre os três melhores filmes do novo século. O roteiro é fantástico , os diálogos são marcantes e ofensivos ao mesmo tempo , principalmente na conversa entre pai e filha na cena final. Além disso , a história e os personagens são bem apresentados , o filme é bem dividido , o clímax é brilhante e a locução em voz over é extraordinária. O elenco é perfeito , todos os atores fazem uma espécie de mímica , onde os personagens precisam imaginar os objetos , principalmente portas. Nicole Kidman faz um dos seus melhores trabalhos , marca a sua personagem e merecia vencer mais prêmios por sua brilhante atuação. Lauren Bacall , Paul Bettany e Patricia Clarkson são os outros destaques. O resto do elenco também é bom , são muitos os nomes. A trilha sonora barroca é ótima , bem encaixada , aumenta o clima de tensão e emoção em todos os momentos que aparece , sua função é fundamental no filme. A fotografia apresenta-se muito bem , penetra nas emoções dos personagens e coloca o espectador no papel de um bisbilhoteiro , como se estivesse testemunhando os acontecimentos. A direção de arte é diferente e genial , como se fosse uma peça teatral , o cenário é todo marcado com um tipo de giz. Além disso , habitua o espectador no local , e com a ajuda do figurino , transporta-o para a época em que se passa. Um filme com conceitos psicológicos e técnicas brilhantes , tudo o que um cinéfilo gosta. "Dogville" brilha nos seus 177 minutos e merecer ser visto por todos que entendem cinema. Até agora , o melhor filme de Lars Von Trier.

Avaliação : 4,5 de 5,0

@criticoleonardo

Leonardo Freitas de Carvalho

Grécia seguirá na zona do euro, diz Comissão Europeia

Agência Estado - publicado em 28/09/2011

A Grécia continuará a ser parte da zona do euro, que necessita de mais integração e disciplina para reforçar sua credibilidade, afirmou o presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, em discurso sobre o estado da União, diante do Parlamento Europeu, em Estrasburgo. "Para a zona do euro ser confiável, precisamos integrá-la de verdade", defendeu.

Barroso declarou que mais mudanças podem ser necessárias nos tratados que estabeleceram a União Européia, a fim de fortalecer a capacidade do bloco de responder aos desafios econômicos. Ele disse ainda, que a Comissão adotou hoje uma proposta para a criação de um imposto sobre transações financeiras que pode gerar mais de 55 bilhões de euros por ano.


O título deste post faz referência a um ditado grego que muito tem a ver com o atual momento vivido na Zona do Euro. A três semanas atrás no post “Estados Unidos da Europa” eu apresentei alguns cenários que se desenvolveriam no decorrer do tempo e o que vemos hoje é uma mescla do Plano A com o Plano B. As recentes noticias tem confirmado essa situação e por mais que os Chanceleres, Premiers ou Representantes de Estados da Alemanha, Finlândia e Holanda digam que são contra mais ajudas aos Países periféricos, isso não passa de discurso para seu eleitorado, porque na verdade “ruim com eles, pior sem eles”.

Isso quer dizer que quem fala sobre uma saída dos países periféricos da Zona do Euro não entende a dinâmica e o objetivo do projeto no qual essa zona foi construída. Essas análises em gerais são feitas e veiculadas em mídias através de experts Anglo-Saxões.

Para compreender melhor sobre a dinâmica de uma saída forçada da Grécia basta retomarmos o post de Junho “Quando o impulso vira um empurrão? Expondo a ameaça incrível de uma saída forçada da Grécia da zona do euro”. A mesma análise pode servir analogamente a Portugal, Irlanda, Espanha, Itália e etc, basta trocar os nomes. A dinâmica não será diferente, talvez o tamanho do estrago.

No entanto eu incluiria mais alguns desdobramentos nessa análise. Caso algum dos países periféricos fosse forçado a deixar a ZE e adotar uma nova moeda, essa sofreria uma desvalorização fortíssima, no momento em que fosse posta em circulação, de maneira mais abrupta que alguns analistas pensam. Poderíamos assistir a desvalorizações na casa de 50%. Seria mais do que uma “desvalorização competitiva”, sem contar que a dívida desses países agora fora do Euro continuaria em Euro. O Euro por sua vez ,“limpo” desses problemas valorizaria, o que tornaria a dívida externa ainda mais impagável. Sabemos bem que essa dinâmica de crise cambial e dívida externa levaria o país a um Default e uma situação que poderia, ou mesmo levaria, a hiperinflação, demorando décadas para reconstruir um país devastado por essas condições econômicas.

Outra opção que se tem falado é a criação de uma nova moeda, liderada nesse caso pela Alemanha e junto com outros países em melhores condições e até alguns que hoje estão fora da ZE. O que aconteceria é o oposto. Essa nova moeda se valorizaria abruptamente, estancaria o modelo de crescimento led-by-exports da Alemanha e estes países agora credores de uma moeda mais fraca, o Euro, teriam dívidas à receber nessa moeda mais fraca, contribuindo assim para uma crise em seus Balanços de Pagamento.

Portanto, é preferível ser dono de uma moeda a escravo de duas. Mais do que isso, ainda acredito que a Mescla de Plano A (default parcial, reestruturação, reescalonamento e novos pacotes de ajuda) com o Plano B (mais integração fiscal e orçamentária entre os países, ver o link) tem se mostrado o cenário mais favorável no médio prazo.

Vale a pena dar uma olhada no seguinte artigo para entender melhor a Crise Européia: What Really Caused the Eurozone Crisis? (Part 1)

Fiquem em paz!

Ps- Para quem não viu a sinceridade de um investidor: Clique aqui.


Rafael Leão - http://liberdademoderna.blogspot.com/

A coluna do jornalista e filósofo Hélio Schwartsman, no dia 25/08:




"Desenvolvo hoje um matéria publicada na última segunda, mas que, por imposições do espaço físico, saiu num tamanho muito menor do que o ideal. A ideia era mostrar alguns experimentos que, tomados pelo valor de face, nos fazem perder a fé no gênero humano. Eles revelam fraquezas fatais da espécie, vieses constrangedores e ilusões cognitivas comprometedoras.


Antes, porém, de concluir pela inviabilidade do Homo sapiens, vale lembrar que também seria possível levantar experiências que sugerem, à maneira de Rousseau, uma natureza humana boa, capaz de altruísmo autêntico, de transcendência e de produzir conhecimento. O problema é que, entre os "bugs" implantados em nosso cérebro, está um que nos impele a ver o mundo como uma sucessão de dicotomias --somos bons ou maus?, a vida tem ou não um propósito?, somos só bichos ou ultrapassamos a animalidade?--, quando a realidade é mais bem descrita num "continuum", que admite o convívio de nossas falhas e virtudes.


Meus amigos do caderno Ciência fizeram o que era possível para adequar as copiosas descrições que eu lhes enviara aos parâmetros do jornal que, receio, sacrifique cada vez mais os textos em favor de imagens e outras firulas. Mas, como eu acho que frequentemente a genialidade de um experimento está em seus detalhes, volto à carga, trazendo mais casos (não couberam todos) e seus às vezes indispensáveis pormenores. Prometo, porém, que vou poupar o leitor das tecnicalidades mais aborrecidas. Divirtam-se.



1. Stanford Prison Experiment (SPE)
O que importa é o caráter das pessoas, certo? Talvez não. Em 1971, o psicólogo Philip Zimbardo estava interessado em descobrir se traços de personalidade de prisioneiros e guardas explicavam situações abusivas nas cadeias. Para tanto, decidiu criar um simulacro de xadrez no porão do Jordan Hall (sede do Departamento de Psicologia da Universidade Stanford).


Recrutou 24 voluntários em perfeita saúde mental. Num sorteio, parte do grupo ficou com o papel de guarda, e o restante, com o de prisioneiros. Estes receberam um uniforme e um número, pelo qual passaram a ser chamados. Os guardas ganharam vestes militares, óculos escuros e um cassetete. Foram instruídos a assustar os presos, mas jamais usar força física contra eles.


Rapidamente as coisas saíram de controle. Os guardas começaram a mostrar-se cada vez mais cruéis para com os prisioneiros, que, depois de uma tímida tentativa de rebelar-se, foram aceitando docilmente as humilhações a eles impostas. Eram forçados a participar de contagens e a fazer exercícios como sanções disciplinares. O próprio Zimbardo se deixou absorver pela situação e pelo papel de superintendente. Foi só depois que sua namorada visitou o local e constatou que limites éticos haviam sido rompidos, que o psicólogo começou a questionar a moralidade da situação. No sexto dia, o experimento, concebido para durar duas semanas, foi interrompido (e sob os protestos dos guardas).


A moral da história é que o comportamento dos participantes foi em larga medida ditado pela situação em que se encontravam, com papéis que lhe foram aleatoriamente atribuídos, e não apenas por traços de sua personalidade. É um "insight" para compreender situações como Abu Ghraib e até fenômenos sociais como o nazismo.




2. Milgram
Na mesma linha do SPE, mostra que, quando a situação o exige, pessoas normais são capazes de coisas terríveis. Em 1963, Stanley Milgram, da Universidade Yale, descreveu experimentos nos quais voluntários são convidados por um pesquisador a aplicar choques elétricos num ator como punição por respostas errada num teste de memória. O voluntário, é claro, não sabe que seu companheiro é um ator e que a máquina de choque é falsa. Não obstante, quando instados pelo pesquisador a aumentar a voltagem dos choques falsos, 65% obedeceram até chegar à carga máxima de 450 volts, apesar dos gritos do ator.




3. "Political junkies", o prazer com a contradição
Ao decidir o voto, colocamos a razão a serviço do bem comum, como quer a turma do politicamente correto, ou de nossos interesses, na versão cínica. Esqueça. Isso é bobagem. O psicólogo Drew Westen (Universidade Emory) mostrou que, também na política, as emoções falam mais alto que a lógica. Ele enfiou 15 eleitores do Partido Republicano e 15 do Partido Democrata num aparelho que monitorava a atividade de seus cérebros enquanto seus candidatos do coração apareciam em situação desfavorável. A cada um dos participantes foram apresentadas seis situações fictícias que mostravam flagrantes contradições de John Kerry (candidato democrata), seis de George W. Bush (republicano). Ao final de cada situação, o participante tinha de dar uma nota, indicando se achava que o candidato havia caído em contradição e em que grau, de 1 (discorda fortemente) a 4 (concorda fortemente).


Como previsto, os eleitores não tiveram dificuldade para perceber a contradição do candidato a que se opunham, colocando a avaliação média perto de 4. Já as contradições dos postulantes de sua preferência receberam nota próxima a 2. Analisando as imagens do "scanner", os cientistas puderam reconstituir os passos da razão eleitoral de suas cobaias. Quando os eleitores foram confrontados com informação potencialmente ameaçadora a suas convicções, foram ativadas redes de neurônios associadas a estresse. O cérebro percebe o conflito entre os dados e o desejo e começa a procurar meios de desligar o interruptor que deflagrou a emoção negativa. Em seguida, os circuitos ligados à regulação de estados emocionais recrutam crenças capazes de eliminar o estresse. É por isso que a contradição é apenas fracamente percebida. Os circuitos normalmente envolvidos no raciocínio lógico quase não são ativados.


A surpresa foi constatar que esse processo de relativização das contradições não se limita a desligar as emoções negativas. Ele também dispara emoções positivas, acionando circuitos do sistema de recompensa, que em grande parte coincidem com as áreas ativadas quando viciados em drogas tomam uma dose de manutenção.




4. Professor Fox
O importante é ter conteúdo. Essa é outra balela. Aparências são muito mais importantes. Em meados dos anos 70, psicólogos da Universidade da Califórnia criaram o Dr. Myron L. Fox. Ele era uma fraude. Não havia nenhum Dr. Fox e seu currículo foi completamente inventado. Para representá-lo, contrataram um ator charmoso que deu uma aula sobre "teoria dos jogos matemática aplicada à educação física". A aula não passava de um amontoado de bobagens sem sentido, repleta de frases de duplo sentido, contradições e neologismos. Mas o ator era bom e dizia essas coisas com clareza, confiança e autoridade.


A plateia, composta por psiquiatras, psicólogos e assistentes sociais, adorou. Na hora de avaliá-lo, deu-lhe notas positivas, incluindo 100% de aprovação no quesito "estímulo ao pensamento".


Vídeos da aula do Dr. Fox foram exibidos a outros públicos, incluindo um formado por professores e administradores de cursos de pós-graduação. E o Dr. Fox recebeu excelentes notas de todas as audiências."


E por aí vai, leia o Artigo na íntegra


Depois da decepção filosófica do artigo, podemos até pensar: "Conhecimento é sofrimento", ideia similar ao filósofo Shopenhauer. Mas na verdade, todo artigo acima, reflete um sério problema dos filósofos: O pessimismo.


O pessimismo não é uma "corrente" recente (utilizei o termo corrente para denotar ao sentido de escolas filosóficas, isso é, empirismo, helenismo, racionalismo, etc), isso é, não surge em Shopenhauer. O pessimismo vem desde os tempos da Grécia, e em questão histórica e humanitária, apenas nos mostrá que sempre existira e existirá o pessimismo. E o porque disso? por vários motivos, dentre eles: experiências de vidas, amores frustrados, período histórico, traumas , o pensamento etc.


Um dos filósofos que trata de analisar o pessimismo e a razão ao se buscar a filosofia  é Nietzsche, do qual, relacionada o pensamento com a decadência. Uma das teorias de Nietzsche, em o "Crepúsculo dos ídolos", afirma à grosso modo que Sócrates só buscou a razão, a filosofia, o amor ao saber, por que ele era feio, e era cansado da vida, talvez em outras palavras, a decadência levou Sócrates à filosofia. 


O que se quer chegar com esse "artigo"?  não me entendam mal, não estou dizendo que Nietzsche estava correto ao fazermos pensar que a decadência nos leva a filosofia, estou na verdade tentando de uma certa forma, mostrar que as vezes é a experiência e o "mal" conhecer  que nos leva à decadência, e que as vezes a filosofia pode sim nos levar a decadência, mas em contraponto, a filosofia pode nos "salvar". (Nietzsche versus Spinoza)


A filosofia pode levar a decadência? Sim, pode (Nietzsche). A decadência pode levar a filosofia ? Sim,pode (Sócrates, se aceitarmos o pressuposto por Nietzsche). Mas a filosofia também pode explicar e até solucionar a decadência.


Enfim, o pessimismo não surge só de uma variável e sim de muitas, mas o que mostrei é que uma delas é o pensar e a experiência, e que o filósofo apesar de  tudo, é humano, isso é: "Humano, demasiado humano" e acima de tudo,  o filósofo é aquele que pode tentar tecer uma melhor interpretação perante ao pessimismo, com o próprio pensar. "Saber pelo saber ao saber positivo, ao saber negativo, ao equilíbrio e principalmente ao saber". Não se enganem, as vezes a verdade pode ser ruim, mas muitas vezes é pela verdade que se acha a solução.


Em suma: Artigo de caráter pessimista, positivista e bom... a questão não era o artigo...


@ogataogara

Ogata Larsen

 Título Orignal: Vivre sa Vie: Film en Douze Tableaux


 Direção: Jean-Luc Godard


Crítica:



Fazer uma crítica à Godard, o cineastra filósofo, não é a coisa mais simples do mundo, por isso, talvez, essa “crítica” seja um tanto equivocada e subjetiva. O que falar de um cineastra que faz filmes como se fossem livros de filosofia ? Narrações, diálogos, enredo, roteiro, elenco e outros coisas mais, fazem parte dos filmes de Godard. Confesso que sou um apaixonado pelas obras dele,  e tento analisar de um certo ponto de vista crítico, isso é, filosófico.  Sem mais delongas, vamos à minha apologia.

Extremamente genial, poético, filosófico, dramático e existencialista. Vivre sa vie é um daqueles filmes que você assiste e fica com ele na  mente, ou melhor dizendo, na sua alma. As questões abordadas pelo filme, a temática apresentada com grande estilo e arte, fazem com que nós pensemos em toda questão dramática da vida. O tema abordado por Godard é simplesmente a vida. A busca pelos sentidos da vida, a conceitualização do que é a vida, a metafísica da vida, apresentando uma série de indagações subjetivas e objetivas.




Além de tudo, ainda conta com uma  técnica engajada no filme, isso é, percebe-se alguns elementos da filosofia. Godard entra primeiramente com a questão socrática, isso é, a indagação ou refutação para a catarse do conhecimento, ou seja, dialética, a forma de  perguntar e responder elaborando conhecimento,  através de teses e antíteses. Godard em alguns segmentos mostra o caráter crítico diante da sociedade, tentando eliminar preconceitos. Ainda conta com elementos existencialistas, isso é, à grosso modo, a ideia de que a existência precede à essência, mostrando de forma clara que nós é que escolhemos os nossos atos. E um dos pontos também que analisei, foi o fator linguístico, onde Godard parece mostrar a ideia de problema da linguagem.  Dentre de algumas referências, acredito que nesse filme há: Sócrates, Shopenhauer, Hegel, Heidegger, Sartre,Platão, Edgar Poe e Wittgeinsten, ou seja, em termos filósoficos, temos(à partir de uma interpretação minha) o Existencialismo, pessimismo e a crítica à linguagem.

Com uma atriz principal de tirar o fôlego, uma filmagem um tanto clássica e alternativa, diálogos excelente e frases marcantes, temos uma das obras que qualquer cinéfilo deveria assistir. Viver a vida.

“A verdade está em tudo, até mesmo no erro”.

Mais que digno de cinemacultura.

Obs: Lembre que é minha interpretação, e sim, talvez, subjetiva e que eu fiz uma certa propaganda do filme.(É um dos filmes que mais gosto.)
Ogata O’gara

• Título Original: The Elephant Man


• Direção: David Lynch


• Roteiro: Christopher De Vore (roteiro), Eric Bergren (roteiro), David Lynch (roteiro), Sir Frederick Treves (livro), Ashley Montagu (livro)





Crítica:

Segundo Aristóteles, a palavra “Espanto” seria o principio da filosofia, isso é, a indagação perante ao senso comum, espantar-nos e indagarmos, ou seja, em outras palavras, ter um pensamento crítico perante à esse mundo que nos espanta e nos assusta. O que esse filme nos trás é o “espanto”. Aquele do qual, passamos de cena em cena, nos indagando, nos angustiando, sofrendo com o personagem principal. O que esse filme nos trás é chocante, do ponto de vista subjetivo, o sentimento de ódio, de ternura,estranheza e  compaixão, e de tantos e outros adjetivos para cada cena. Do ponto de vista crítico e filosófico, vemos como o ser humano pode ser cruel, decadente, e até mesmo delicado, poético e belo.  O que Lynch nos trás nesse filme, ao meu ver, é uma grande crítica à sociedade, principalmente ao preconceito. Vemos de forma exata no filme, o que realmente acontece em muitos lugares: Quando algo é diferente, seja belo ou feio, é chamativo, e por isso espanta a sociedade por sair do senso comum, e a sociedade, cheia de preconceitos tem uma certa dificuldade de aceitar.E o que é alternativo, diferente, torna zombaria.


Esse é um dos filmes que mais lidam com a ontologia do ser humano. Também é um ótimo filme de drama, que nos toca de forma crítica e angustiante, considerando também que é uma história real. Triste, feliz, poético, dramático, filosófico,anti-ético, tudo junto em um só filme, que por ironia é preto e branco. Ainda conta com um elenco bom, isso é, Anthony hopkins e John Hurt.

Um dos poucos filmes, do qual podem fazer você se emocionar.

Esse filme pode ser relacionado à uma série de outros temas e abordagens, mas, confesso que limitarei à escrever apenas o que está acima, sem considerar algumas questões da psicologia social, filosofia técnica, estética e outras coisas.. justamente por ser um filme extramente emocionante, triste e belo, não alongarei mais.. seria equivocado da minha parte escrever uma crítica de alguns caracteres à algo tão profundo e artístico.

É impressionante como uma pessoa tão feia externamente, pode ser tão bela internamente.  Também é de se chocar como existe na sociedade um preconceito contra o que é diferente. O espanto maior ainda é:  descobrir que é uma história real e  como “o homem pode ser o lobo do homem”. 


“Well, I would say that if you could manage to get to the end of The Elephant Man without being moved…I don’t think you’d be someone I’d want to know” – John Hurt


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Blog formado por estudantes abordando temas culturais como cinema, filosofia, música, tecnologia, arte, etc.

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