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Como já seria ante visto pelo barbudinho, também refutado ou confirmado por alguns teóricos do capitalismo, é característico do nosso sistema vigente a presença do capital fictício, que não é real, ou não condizente com o real (leia-se lado produtivo).

Este capital que aparentemente rende juros simplesmente do nada (daí a famosa metáfora marxiana da propriedade das pereiras) tem uma função a cobrir no sistema capitalista, que é de extrema importância para o desenvolvimento e/ou extinção desse sistema. (Nem vou chegar nesse mérito da questão...)

Vindo do pólo extremamente oposto da questão, o fotógrafo alemão Michael Najjar,  teve um belo insight artístico em uma expedição que fez. No ano de 2009 encarou o difícil desafio de escalar o Aconcágua, montanha mais alta do mundo fora do Himalaia, que se localiza na Argentina. Enquanto estava lá, sentiu os riscos e abismos que encontrava neste ponto inóspito da natureza. Esta propriedade das montanhas fascina e já fascinou muitos homens, artistas ou não.

Todavia, o fotógrafo Micheal Najjar relaciona os perigos, riscos, abismos e cataclismo das montanhas com as movimentações e os riscos dos maiores índices do mercado financeiro criando assim uma enigmática e bela relação entre a plenitude da natureza e o virtual dos mercados financeiros, dominados pelo mundo da informação e da computação. Esta junção entre o real e o virtual se mostrou de uma sensibilidade que a tempos eu não me deparava.

Usando os índices datados desde a década de 80 ( em alguns casos) o resultado é impressionante. Vale a pena visitar o site do artista que, alem dessa exposição, profere uma ótima experiencia de navegação futurística!

Aqui temos o Índice Bovespa ao longo da década de 80 até hoje
Índice Nasdaq, também no mesmo período


Uma das imagens mais impressionante é esta, chamada  lehman_92-08
Mostra o desenvolvimento do preço das ações do Lehman Brothers
desde 1992 até sua falência em  setembro de 2008
























Além disso, deem uma olhada na entrevista que ele deu para o INET falando sobre o trabalho dele e mostrando a imagem do índice Dow Jones, que eu não coloquei no post, é animal!
O site dele é esse ó: http://www.michaelnajjar.com/ ( baita experiencia navegar nele viu!)

Nós, estudantes das Universidades e grandes escolas francesas, nos declaramos inteiramente descontentes com o ensino de Economia recebido pelas seguintes razões:

1) Abandonemos os mundos imaginários!

A maior parte entre nós escolheu o curso de economia para adquirir compreensão aprofundada dos fenômenos econômicos aos quais o cidadão de hoje é confrontado. Ora, tal como o ensino é ministrado, na maior parte dos casos trata-se do ensino da teoria neoclássica ou de correntes dela derivadas, não atende a essa expectativa. Com efeito, se a teoria legitimamente destaca-se das contingências, no primeiro momento, ela raramente efetua o retorno necessário aos fatos: a parte empírica, isto é, história dos fatos, funcionamento das instituições, estudo dos comportamentos e das estratégias dos agentes, tudo isso é praticamente inexistente. Por outro lado, esse afastamento do ensino em relação a realidades concretas coloca, necessariamente, o problema de adaptação para aqueles que gostariam de se tornar úteis aos atores econômicos e sociais.

2) Não ao uso sem controle dos métodos quantitativos!

A utilização do instrumental quantitativo parece necessária. Mas o recurso à formalização matemática, quando ela deixa de ser instrumento e torna-se fim em si mesma, conduz à verdadeira esquizofrenia em relação ao mundo real. A formalização permite, em compensação, construir facilmente exercícios, “transformar” os modelos, onde o importante é encontrar “o bom” resultado, isto é, o resultado lógico em relação às hipóteses de partida, para poder fornecer boa imitação. Isso facilita a notação e a seleção, sob a cientificidade aparente, mas jamais responde às questões que nós nos colocamos sobre os debates econômicos contemporâneos.

3) Por pluralismo de abordagens em economia!

Na maior parte das vezes as aulas não deixam espaço para a reflexão. Entre todas as abordagens existentes geralmente nos é apresentada apenas uma, e ela pretende explicar tudo segundo o desenvolvimento puramente axiomático, como se fosse A Verdade econômica. Nós não aceitamos esse dogmatismo. Nós queremos explicações plurais, adaptadas à complexidade dos objetos e à incerteza que cobre a maior parte das grandes questões econômicas: desemprego, desigualdades, o lugar dos mercados financeiros, vantagens e inconvenientes do livre comércio, globalização, desenvolvimento econômico etc.

4) Apelo aos professores: acordem antes que seja tarde demais!

Nós bem sabemos que nossos professores estão submetidos a certos constrangimentos. Mesmo assim, nós solicitamos o apoio de todos aqueles que compreendem nossas reivindicações e que desejam mudanças. Se isto não ocorrer rapidamente, o grande risco é que os estudantes, que já começaram um movimento de retirada, abandonem em massa o curso que ficou desinteressante, porque foi desligado da realidade e dos debates do mundo contemporâneo.

NÓS NÃO QUEREMOS MAIS TER ESSA CIÊNCIA AUTISTA QUE NOS QUEREM IMPOR.

Nós não pedimos o impossível, mas apenas que prevaleça o bom senso. Portanto, nós esperamos ser ouvidos o mais rápido possível.

Grécia seguirá na zona do euro, diz Comissão Europeia

Agência Estado - publicado em 28/09/2011

A Grécia continuará a ser parte da zona do euro, que necessita de mais integração e disciplina para reforçar sua credibilidade, afirmou o presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, em discurso sobre o estado da União, diante do Parlamento Europeu, em Estrasburgo. "Para a zona do euro ser confiável, precisamos integrá-la de verdade", defendeu.

Barroso declarou que mais mudanças podem ser necessárias nos tratados que estabeleceram a União Européia, a fim de fortalecer a capacidade do bloco de responder aos desafios econômicos. Ele disse ainda, que a Comissão adotou hoje uma proposta para a criação de um imposto sobre transações financeiras que pode gerar mais de 55 bilhões de euros por ano.


O título deste post faz referência a um ditado grego que muito tem a ver com o atual momento vivido na Zona do Euro. A três semanas atrás no post “Estados Unidos da Europa” eu apresentei alguns cenários que se desenvolveriam no decorrer do tempo e o que vemos hoje é uma mescla do Plano A com o Plano B. As recentes noticias tem confirmado essa situação e por mais que os Chanceleres, Premiers ou Representantes de Estados da Alemanha, Finlândia e Holanda digam que são contra mais ajudas aos Países periféricos, isso não passa de discurso para seu eleitorado, porque na verdade “ruim com eles, pior sem eles”.

Isso quer dizer que quem fala sobre uma saída dos países periféricos da Zona do Euro não entende a dinâmica e o objetivo do projeto no qual essa zona foi construída. Essas análises em gerais são feitas e veiculadas em mídias através de experts Anglo-Saxões.

Para compreender melhor sobre a dinâmica de uma saída forçada da Grécia basta retomarmos o post de Junho “Quando o impulso vira um empurrão? Expondo a ameaça incrível de uma saída forçada da Grécia da zona do euro”. A mesma análise pode servir analogamente a Portugal, Irlanda, Espanha, Itália e etc, basta trocar os nomes. A dinâmica não será diferente, talvez o tamanho do estrago.

No entanto eu incluiria mais alguns desdobramentos nessa análise. Caso algum dos países periféricos fosse forçado a deixar a ZE e adotar uma nova moeda, essa sofreria uma desvalorização fortíssima, no momento em que fosse posta em circulação, de maneira mais abrupta que alguns analistas pensam. Poderíamos assistir a desvalorizações na casa de 50%. Seria mais do que uma “desvalorização competitiva”, sem contar que a dívida desses países agora fora do Euro continuaria em Euro. O Euro por sua vez ,“limpo” desses problemas valorizaria, o que tornaria a dívida externa ainda mais impagável. Sabemos bem que essa dinâmica de crise cambial e dívida externa levaria o país a um Default e uma situação que poderia, ou mesmo levaria, a hiperinflação, demorando décadas para reconstruir um país devastado por essas condições econômicas.

Outra opção que se tem falado é a criação de uma nova moeda, liderada nesse caso pela Alemanha e junto com outros países em melhores condições e até alguns que hoje estão fora da ZE. O que aconteceria é o oposto. Essa nova moeda se valorizaria abruptamente, estancaria o modelo de crescimento led-by-exports da Alemanha e estes países agora credores de uma moeda mais fraca, o Euro, teriam dívidas à receber nessa moeda mais fraca, contribuindo assim para uma crise em seus Balanços de Pagamento.

Portanto, é preferível ser dono de uma moeda a escravo de duas. Mais do que isso, ainda acredito que a Mescla de Plano A (default parcial, reestruturação, reescalonamento e novos pacotes de ajuda) com o Plano B (mais integração fiscal e orçamentária entre os países, ver o link) tem se mostrado o cenário mais favorável no médio prazo.

Vale a pena dar uma olhada no seguinte artigo para entender melhor a Crise Européia: What Really Caused the Eurozone Crisis? (Part 1)

Fiquem em paz!

Ps- Para quem não viu a sinceridade de um investidor: Clique aqui.


Rafael Leão - http://liberdademoderna.blogspot.com/

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