Perturbadores, problemáticos, bizarros, alguns nojentos e até mesmo interessantes. O cinema produz um conteúdo que vai dos filmes mais belos aos mais estranhos e que deixam o espectador perturbado. Apesar da muita controvérsia entre críticos, o cinema pode mostrar diversos sentidos, interpretações, abrir questionamentos de todo tipo, entre outras coisas. A questão é como ele faz isso! Hoje, trago alguns dos filmes que mais me deixaram "louco", sendo que alguns abriram até alguns questionamentos surpreendentes. (Esse post será divido em muitos, portanto, os filmes estão fora da ordem e cada semana terá cinco filmes mais um bônus.)


1- Begotten                                                                                                                                                 
Esse filme trabalha com a história bíblica do Gênesis, mas de maneira tão bizarra que fica problemático vê-lo como se fosse algo poético. O filme foi elaborado em 1991, escrito e dirigido por E.Elias Merhinge e se tratava na verdade de um filme experimental. O longa repercutiu por diversos críticos, chegando alguns a afirmarem que é um dos melhores filmes no estilo horror psicológico. No entanto, digo que o filme é um jogo de imagens bizarras, em preto e branco, que quando vi achei que era pura alucinação do diretor.





2- Eraserhead
Digo e continuo dizendo que D.Lynch é um diretor enigmático em muitas coisas. Genial ao mostrar a dialética na "Cidade dos sonhos", idiossincrático no "Homem elefante", eloquente em muitos outros, mas totalmente enigmático em Eraserhead. Segundo Lynch, ninguém jamais entendeu o que significa nesse filme. Também, temos nesse filme: um bebê monstro, um cara pra lá de bizarro, imagens sem sentido algum, danças entre quadros, um frango-assado que se move, etc.

3- The Angel's Melancholy
A partir de agora as coisas começam a ficar bizarras (como se não já estivesse). Esse filme é a coisa mais porca e perturbadora que  já vi. Diferente dos outros dois filmes, Begotten e Eraserhead, "The Angel's Melancholie" foi proibido em diversos países. Difícil, se não impossível, achar esse filme pra download e bom, se você achou, boa sorte, porque depois que vi, fiquei meio atormentado com algumas cenas do filme.
O Trailer não irá dizer pelas minhas próprias palavras, mas se queres saber mais, o filme contém uma enorme quantidade de "filias" sexuais, além de animais no meio, contém várias cenas com sexo e fezes, tortura, humilhação etc.











4-Salo, ou 120 dias de Sodoma
Pasolini é um grande diretor em mostrar, no cinema, questões obscuras, esquecidas, ou acomodadas que podem gerar polêmica. Salo é um filme crítico. Perturbador, aterrorizante, mas muito discutível, dando a trabalhar muitas ideias sobre o que é o ser humano. Salo é um longa antropológico, político, artístico que explora várias facetas do cinema, mas, embora todos esses lados positivos, Salo é bizarro, repugnante e aterrorizador. Emocionante até certo ponto, mas a cada momento que vemos esse filme queremos que acabe logo ou que aconteça algo como ocorre em "Bastardos Inglórios".



5- A Serbian Film
Não é preciso falar muita coisa sobre esse filme. Ficou famoso, deu polêmica, proibido em diversos países e até se tornou "banal" em listas sobre filmes perturbadores. De fato o filme extrapola em algumas cenas, não tem aquele caráter amador, possui um roteiro meio maluco que trabalha com Snuff, mas, de fato, é um filme chocante. O porquê de ter sido proibido é meramente um fato ético... basta analisar as cenas pra ver que qualquer pessoa, sem estômago forte, pode passar mal vendo esse filme.

Bônus- The Philosophy of a Knife
O que mais me assusta nesse filme é ser baseado em fatos reais. As imagens do trailer já são chocantes, então recomendo que quem tenha estômago fraco fique longe do filme e do trailer (Apesar de bizarro). O que posso afirmar é que fiquei uns dias com nojo do ser humano, de maneira desigual, como nunca fiquei antes.
Resumidamente, a história conta os crimes da Segunda Guerra mundial, feitos em prisioneiros de guerra pelo Japão. Quando se fala em segunda guerra, sempre se destaca os nazistas e os campos de concentração, mas é importante lembrar que o Japão capturava chineses e fazia experimentos científicos neles (de todo o tipo). A crueldade é enorme. Como diz o próprio poster do filme: "Deus criou o céu, o homem criou o inferno".




Artigo de F.M.Ogata - Wolf Lars- Lobo Larsen

Ouvia e gritava ao mesmo tempo: "Sem violência, Sem violência!"...Era quinta-feira, dia 13 de junho, nublado, estava impressionado com todo aquele movimento e com tanta gente junto. Na verdade, me sentia feliz por estar lutando em prol de direitos de liberdade, expressão, contra a repressão, a favor da justiça, pelo próprio ser humano. Não era mais uma questão de vinte centavos, era algo maior, mais bonito, profundo e ao mesmo tempo triste. A polícia, mal treinada, seguindo ordens de represália não se mostrou digna. Atacou a todos, sem discussões, ouvia-se policias xingando, aplicando golpes e prendendo por portar vinagre. Quem acompanhou de perto sabe que a mídia não mostrou a verdade, ou pelo menos escondeu os fatos,  criando um discurso ideológico, simbólico, alienante e que  reprime o  livre pensamento. O que se pode dizer acerca dos acontecimentos de São Paulo que estão atingindo todo o país? pode-se abrir uma longa discussão que envolva política, filosofia, economia, sociologia, direito etc., a respeito de tal tema, mas num protesto como esse, o que senti foi que finalmente o "Brasil" parece ter acordado. O que presenciei na última quinta-feira, dia 13, foi uma repressão que implementou um pouco de terror e muita violência. Sim, vi manifestantes que eram violentos e vi manifestantes em prol da paz, pacíficos, mas o que vi principalmente por parte da polícia foi uma atitude autoritária. Considera-se, a partir de Hannah Arendt, que quando o estado aplica violência, terror para fins de controle, estamos na essência de um estado totalitário. Quando vi que a atitude da tropa de choque  foi algo abusivo, aplicado com bombas morais, senti o terror, julguei que os direitos democráticos, embora discutíveis, estavam por água abaixo. Ora, quem presenciou sabe que tinha algo errado lá. Policiais como anônimos? o que era aquilo? vi uma garota apanhando da polícia, sem mais nem menos. Que atitudes são essas? Quem conhece policiais sabe que grande parte só obedece ordens superiores, existe toda uma lógica militar. Quem manda na tropa de choque é o poder do governo, do estado, da administração, culpar somente a polícia é um ato ignorante, embora eles sejam por vezes abusivos por deterem armas que a população não tem, eles foram mal treinados, recebem pra fazer aquilo, muitas vezes alienados e que somente obedecem ordens, se não perdem o emprego. Há algo além da Pm, há todo um sistema que prevalece no Brasil e no mundo.  
Tudo que presenciei me fez crer que as pessoas que estavam lá não eram vândalos, eram pessoas que lutam por seus direitos, direitos que estão sujos por muito tempo, apagados, nulos por vezes. Já era hora de fazer algo nas injustiças que o Brasil possui.
Raws, filósofo norte-americano, em um dos seus maiores livros, fala que a justiça deve ser entendida como equidade e liberdade ( em consideração o véu da ignorância). Levando em consideração o conceito de justiça como algo que todos tem, de forma equitativa, o Brasil parece estar bem longe desse conceito, e nesse contexto, o Brasil vive em um estado injusto, onde poucos tem e conservam como está e quando os que nada tem, ou quem tem reclama pela justiça, a elite reacionária vai contra. 
As manifestações são dignas de todos os ocorridos, mesmo que sou contra em parte do uso violência (apesar de que qual revolução não teve violência?), eu apoio pelo simples fato de como o Brasil está. Não existe justiça no Brasil, talvez em particularidades, não como um todo, vejo um país fragmentado, sem distribuição de renda, desigual. Espero que o evento dos vinte centavos tenha sido o estopim para algo maior e alias, isso já era pra ter ocorrido.
Eu luto por melhorias para todos, uma ética em que preza pela vida acima de tudo, não só uma questão econômica, mas sim por um país que ofereça melhores condições de vida e liberdade, luto pela democracia em primeiro lugar.
Não desconsidero os vinte centavos e não estou do lado dos reacionários também, mas estou a favor da democracia.
Não sejamos niilistas, vamos para a rua! manifestar... ou se não puderem, a internet está aí, uma das maiores ferramentas nos tempos de hoje.
Acorda Brasil! "Winter is coming" - United we stand, divided we fall.

Artigo escrito  por - F. Ogata - Wolf Lars

Alguns videos sobre as manifestações:



http://www.melhorquebacon.com/24-momentos-protesto-sao-paulo/ https://www.facebook.com/photo.php?v=476324595791064&set=vb.100002405820766&type=2&theater

Enfim voltamos com a categoria "Música da Semana"... Que tal começarmos com All Sons and Daughters, com esse belo Clipe?  de brinde Mumford and Sons!



Eu não saberia quais adjetivos seriam cabíveis para resumir "Dogtooth". Excelente? Perverso? Curioso? Bizarro? Talvez todos esses adjetivos e alguns mais, mas com certeza "Dogtooth" é um filme filosófico e chocante!
Dogtooth é um filme grego, dirigido e escrito por Yorgos Lanthimos e lançado em 2009. Dogtooh ganhou prêmio de melhor filme no festival de Cannes e é considerado por muitos críticos, um dos melhores filmes de 2009.
A história de Dogtooth é um pouco excêntrica,  tudo acontece  praticamente em uma casa, onde uma família não tem contato com o mundo exterior (Com exceção do pai). Não se deve falar muito a respeito da sinopse, pois acabaria a graça do longa.
O que exatamente Dogtooth tem que foi tão aclamado pelo público?  Tudo que se passa nele é interessante, discutível, a filosofia transborda nesse roteiro esplendido, as cenas curiosas que lidam com valores morais, a não linearidade da história, eventos metafóricos, a apologia ao livro VII de Platão (Mito da caverna), a enfase na sexualidade, a frieza do equilíbrio ditatorial, os atores, a dramática, o humor que está por trás. Parece que Yorgos leu muito Platão para ter escrito e elaborado esse filme, não só Platão como também Foucault, Freud, Wittgeinstein, Nietzsche, entre outros. Yorgos coloca cenas e mais cenas que nos faz pensar: "Porque?", além de mostrar na história a convenção e o poder da linguagem, mostra  a natureza humana, ingenua, se perguntando o que é isso? os porques? buscando cadeias de causas, lidando com um vigor trágico, pra lá de apolinio, trazendo nos personagens indagações sexuais, curiosidades da natureza humana, levando o público ao curioso, ao perverso, ao misterioso "a-mundo".
Vale a pena ver Dogtooth? É um filme pra quem gosta de coisas estranhas, diferentes, outros olhares, pensamentos nomades e filosóficos. (SIM!)

Comentário por: F.Ogata Larsen- Lobo Larsen

    

É eu sei... O blog anda abandonado e sem quase nenhuma postagem nova.. mas temos os nossos motivos, período de formatura e lá estamos indo para uma nova etapa da nossa vida! (Pelo menos o Gui e eu, os dois criadores) Para recompensar o tempo de não postagens, segue um filme bem "Francês" pra vocês! Na íntegra!


Its hard not to hate.People..things..institutions. Especially when they break your spirit and take pleasure watching you bleed.Hate is the only feeling that makes sense.
But I know what hate does to a man: tears him apart ..turns him into something he's not..
something he promised himself he never become!
It's so hard not to carve under the way of all awful things I feel in my heart.
Sometimes life feels like a deadly bouncing act.. what I feel slamming against what I should do...
impulsive reactions racing the solutions miles ahead of my brain..



Uma das frases marcantes na filosofia de Nietzsche é: "Não existem fatos, somente interpretações". Holy Motors é um filme que demonstra o que Nietzsche disse. Holy Motors é um filme que aparentemente pode ser visto como surrealista, enlouquecidamente dionisíaco e sem menor sentido, mas diante das possibilidades subjetivas interpretativas, ele pode fazer muito sentido e até mesmo ser considerado uma obra prima.
Pode-se dizer que é um longa difícil de ser analisado e mesmo que seja analisado ainda corre o perigo de outrem analisarem de modo diferente, por isso, eis o a genialidade desse filme: Embora sem menor sentido, ele é interpretativo.
Uma coisa é certa: o filme fala sobre a própria vida do diretor. Para entender Holy Motors de uma maneira que seja a do diretor, no mínimo deve-se entender a vida do diretor, seus outros filmes e o seu percurso na história do cinema. Leox Carax parece colocar muita coisa da vida dele em cena. Leox é um verdadeiro artista, se formos analisar conforme sua subjetividade, já que transparece a sua experiência de vida e faz um filme que aparentemente não tem menor sentido. Por outro lado, o filme apresenta aquilo que esteticamente  é genial: Um filme que fala sobre o cinema. Holy Motors pode ser interpretado como filme que traça em nuanças, diferenças, categorias do cinema, isso é, drama, romance, ação, ficção e ainda sim carrega consigo mesmo o roteiro. Um longa sobre categorias de outros longas que não seja um documentário, que possui um roteiro, que lida com diferenças e, a todo instante trabalha com metáforas, é digno de café música e filosofia. A arte de Holy Motors enlouquece,  faz ver de um ponto de vista diferente o que o cinema produz... Drama, musical, comédia, ação. A mudança, o devir, o eterno retorno. O filme é um transtorno geral e sobrecarrega elementos tão subjetivos que ele acaba sendo pessoal, tornando-o complexo de aconselhar. Em suma, Holy Motors é um filme misterioso, já que é um complexo de elementos subjetivos do próprio diretor, mas ao mesmo tempo e ate contraditoriamente, é um longa artístico, com dramatização surrealista e cheios de sentidos a descobrir.
 

F.Ogata - Lobo Larsen

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Blog formado por estudantes abordando temas culturais como cinema, filosofia, música, tecnologia, arte, etc.

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