Nessa semana temos uma música interessante, ambiental, variando em vários estilos, desde clássico até eletro. Boa para relaxar, tomar um café e refletir a vida.
A música dessa semana é aquela perfeita para dançar e curtir a vida.
O dogmatismo é uma forma se se posicionar em relação à possibilidade do conhecimento e à existência da verdade. Segundo essa corrente de pensamento, não faz sentido problematizar o conhecimento, não faz sentido duvidar da razão humana, sendo a nossa consciência cognoscente capaz de apreender o que está diante dela facilmente. Em um âmbito geral, podemos chamar de dogmatismo as posições que trabalham com conceitos e conhecimentos prévios e que não os discutem, por ser ilógico discutir os fundamentos.
As filosofias moderna e contemporânea, em sua maior parte, deixaram a concepção dogmática. As percepções atuais vigentes, em relação ao conhecimento e à realidade, são o relativismo, o criticismo, o pragmatismo, o construtivismo... O que há em comum na visão filosófica contemporânea, em relação ao conhecimento, à verdade e à realidade, é a problematização, o exame das relações, do contexto cultural e histórico, e a tese principal, de que não há verdade absoluta e universal.
Parece que o dogmatismo e os dogmas foram deixados de lado, que não há mais a falta de problematização, a concepção de pressupostos que não devem ser negados ou discutidos. Parece, mas não é bem assim. Até a menos dogmática das correntes filosóficas tem seus fundamentos em dogmas. Estranho, não?
Usemos o exemplo do ceticismo pirrônico. Segundo a concepção cética de Pirro de Elis (360-270 a.C.), não há conhecimento, apenas opinião. Partindo desse preceito, ele desenvolve sua ideia de suspensão de juízo, da diferença entre opinião (doxa) e conhecimento (episteme). Mesmo essa forma mais radical de ceticismo, onde seria difícil pensarmos em dogmas e falta de problematização de pressupostos, há a presença de dogmas. Simplesmente, quando Pirro diz ser impossível o conhecimento, ele faz uma proposição objetiva, um juízo de valor, ou seja, um conhecimento. Sem me focar na auto-refutabilidade do ceticismo pirrônico, quero me ater a fazer com que você, leitor, perceba a existência de dogmas. Nessa concepção pirrônica, o pressuposto que fundamenta ela não pode ser negado ou discutido.
Isso acontecerá com qualquer posição em relação à epistemologia, ontologia, ética ou qualquer outra área da filosofia. São os dogmas que fundamentam as posições, em menor ou maior grau. E isso não é nem deveria ser algo negativo. Se existisse uma concepção que afirmasse algo, mas o negasse logo depois, e logo negasse ou discutisse a afirmação, e assim por diante, não haveria a concepção, pois concepções são feitas por juízos e proposições, não pela infinita autonegação de ideias. Um filósofo que falasse algo e ao mesmo tempo o negasse, e o fizesse constantemente, perderia sua credibilidade.
A linguagem filosófica é conceitual. Os conceitos são fundamentados em afirmações ou negações, e as posições defendidas devem afirmar um ou outro pressuposto logico e indubitável, para se desenvolver. Ser fundamentada em dogmas não faz da tese dogmática. E a existência de dogmas que vai abrir alas à críticas, positivas ou negativas, em relação à tese. Todo filósofo é dogmático em dado momento, e devemos refletir sobre isso, em um tempo que critica e crucifica tanto posições dogmáticas, um tempo onde vemos apenas um pensamento niilista em relação à realidade.
A metamorfose-
Good Books "Metamorphosis" from Antfood on Vimeo.
“Como nos tornamos o que somos e o que vamos ser, requer um grande tempo. Saber utilizar o tempo não é só uma arte, como também saber viver. Como queria aprender a viver e utilizar nosso tempo nesse curto espaço de vida, em que somos muitas vezes meros passageiros. Alguns existem mesmo mortos, outros nunca existiram, mas o que tentamos indiretamente é a imortalidade. Não sabemos ao certo como viemos ao mundo, ou para aonde vamos e, alguns, mais espertos talvez, refutam e questionam. O que dá sentido a vida é a morte, queira ou não. Então não seja tolo, saiba utilizar o seu tempo, saiba utilizar a vida, saiba existir, use o tempo como arte.’ Ogata Larsen (F.M.Ogata)
Para começar a semana, apresento uma banda bem famosa, Metric, com uma música do filme "Scott Pilgrim Vs The World", Black Sheep